Flores e Plantas Ornamentais: Modas e Tendências em Lançamento para a Primavera 2020 – Parte I: Begônias

O consumo de flores e plantas ornamentais, em todo o mundo, é marcado pela constante busca por novidades, o que faz com que ciclos de moda sejam uma realidade fortemente presente também nesse segmento. Tal fenômeno estimula a indústria genética, produtores, fabricantes de insumos, comerciantes e prestadores de serviços a praticarem a inovação contínua, não apenas visando à obtenção e lançamento de novas variedades e cultivares no mercado, mas também formatos inovadores dados por mudanças nos processos de condução do crescimento e suporte das plantas, além da renovação, mudança ou reciclagem de conceitos em arranjos, formas de exposição e ocasiões de consumo.

No Brasil, isso não é diferente. Por aqui, já há muitas décadas, algumas feiras e exposições de flores e plantas ornamentais vêm se tornando verdadeiras vitrines para o lançamento de novidades, sempre alinhadas com as principais tendências e modas internacionais. Empresas do ramo de sementes e mudas, produtores especializados e outros agentes desse mercado se preparam e aguardam esses momentos preciosos para apresentarem ao público suas novas apostas de sucesso junto ao público consumidor. Esse é o caso, por exemplo, da Expoflora, uma das mais importantes exposições de flores e plantas da América Latina, que ocorre anualmente na cidade paulista de Holambra e que anuncia a chegada da primavera. A cada ano, cerca de 300 mil visitantes percorrem essa mostra de paisagismo e decoração, a qual inclui, ainda, exposição de arranjos florais, Parada de Flores, chuva de pétalas e comercialização de produtos, entre muitas outras atrações.

            Até os dias de hoje, já foram realizadas 38 edições desse evento, cuja origem remonta às iniciativas e movimentos promocionais de floricultores daquela região, iniciados em 1981. Nesse presente ano de 2020, devido à pandemia do coronavírus, a realização da 39ª Fiaflora – originalmente prevista para ocorrer no período de 28 de agosto a 27 de setembro – foi adiada para o próximo ano. Isso, contudo, não interromperá a sequência dos tão ansiosamente aguardados novos lançamentos em flores e plantas ornamentais. Para preencher a lacuna deixada pelo adiamento da Expoflora, a Cooperativa Veiling Holambra, instalada na vizinha cidade de Santo Antonio de Posse, realiza uma exposição virtual dos principais lançamentos para o mercado ornamental nessa primavera.

            No artigo de hoje, daremos destaque a alguns dos principais lançamentos divulgados pela Cooperativa Veiling Holambra e que chegam totalmente afinados com a nova moda do “urban jungle”, “indoor jungle”, ou simplesmente “onda verde”. Nesse novo comportamento mundial, as pessoas se cercam de grandes e até mesmo inimagináveis quantidades de plantas verdes, que se distribuem pelos mais diferentes aposentos de suas residências. Ou seja, por toda a casa, mesmo! Representa um certo “revival” dos anos 70, porém em um grau muito mais exagerado e explorando o uso de outras espécies vegetais, que não foram usuais naquela época.

            Internacionalmente, esse movimento já vem se desenhando há alguns anos, especialmente na Europa, inspirado pelo design biofílico – que visa trazer a natureza para o interior dos espaços de habitação, lazer e trabalho, na busca da integração saudável e do bem-estar em todas as suas dimensões – e começou a emergir com força no Brasil a partir de 2019. O contexto da pandemia do coronavírus, e a consequente necessidade de imposição do isolamento social, vieram dinamizar as potencialidades dessa nova moda em promover o bem-estar dos indivíduos e das famílias, incluindo aí os seus pets. Assim, a proximidade com a natureza, a clarificação e a purificação dos ambientes e a oferta de novos hobbies possíveis no confinamento tornaram as plantas verdes de interior produtos altamente desejados e valorizados pelos consumidores. Junto com tudo isso, a exposição fotográfica dessas novas aquisições virou verdadeira febre nas redes sociais, especialmente no Instagram, onde inúmeras comunidades se organizaram em torno dos já antigos ou novíssimos amantes e aficionados por plantas.

            Nesse contexto, o maior tempo disponível para a contemplação dos vegetais domesticamente cultivados vem contribuindo para uma impactante valorização das espécies e cultivares que exibem folhagens muito pigmentadas, recortadas, furadas, lobadas, desenhadas ou portadoras de elementos marcantes como nervuras e limbos em cores contrastantes, variegação (alteração nos padrões da coloração original da espécie, devido a fatores físicos ou biológicos), cores metálicas, texturas e hábitos de crescimento pouco usuais, entre outros elementos capazes de tornar os vegetais ainda mais atraentes.

            Algumas famílias botânicas como as das aráceas (à qual pertencem os antúrios e filodendros, entre outras espécies), das begônias e das marantas lideram mundialmente as preferências, ainda que não com exclusividade, haja vista que a regra é não ter regra e que o consumidor está experimentando a máxima de que “quanto mais, melhor”. Assim, a diversidade está com tudo e a complementariedade entre as plantas escolhidas para decorar o lar, mais do que favorecer a composição estética, reflete também uma maior consciência ecológica, em que cada indivíduo expressa uma contribuição coletiva indispensável e insubstituível.

            Segundo a Cooperativa Veiling Holambra, as novas variedades são trazidas principalmente da Holanda (entre 60% e 70% delas), da Dinamarca e da Alemanha. Entre elas, vamos destacar, nesse primeiro artigo da série, as begônias.

            O nome das plantas desse grupo é uma homenagem concedida ao seu descobridor, Michel Begon (1638 – 1710), oficial intendente da marinha francesa no porto de Rochefort, além de apaixonado colecionador de plantas. São originárias principalmente das regiões tropicais da América e da Ásia e de áreas de florestas úmidas. Avalia-se a existência de cerca de 1.400 espécies de begônias em todo o mundo, o que torna o gênero ao qual elas pertencem um dos mais numerosos e importantes do ponto de vista botânico e ecológico. Comercialmente, ao menos 20 espécies estão fortemente presentes no mercado internacional. Porém, a cada ano, importantes empresas internacionais de genética e melhoramento vegetal vêm desenvolvendo híbridos interespecíficos, de alto interesse e valor ornamental, cujo resultado é uma oferta multiplicada e praticamente infinita de variedades desenvolvidas para agradar, conquistar e fidelizar clientes em todo o mundo. Assim, fica realmente difícil resistir ao encanto delas.

Um dos grupos de mais largo consumo dessa família é o das Begonia rex, intensamente hibridado a partir da espécie original, cuja história curiosa se deu a partir de um notável equívoco. Essa espécie foi coletada em Assam, na Índia, e enviada para a Europa, em 1856, confundida e misturada, em realidade, com uma coleção de orquídeas. Desde então, a planta trilha uma das mais bem-sucedidas trajetórias.

            No Brasil, a principal empresa produtora de begônias é a Flora Fujimaki, instalada no município paulista de Piedade, no alto da Serra de Paranapiacaba e responsável pela oferta ao mercado de cerca de 35.000 a 40.000 vasos por semana. A cada ano, a empresa introduz novas variedades, desenvolvidas por melhoristas da Holanda, visando conquistar e manter aceso o interesse da clientela. Sua produção é canalizada principalmente para comercialização no Veiling Holambra. A partir desse ano, a Flora Fujimaki agrega ao seu portfólio sete novas cultivares híbridas de Begônia ‘Beleaf’ (Begonia rex ‘Beleaf’), além da Begonia ‘Brevirimosa’ (Begonia brevirimosa), nativa da Nova Guiné, de folhas grandes e colorações vibrantes, que variam entre o bordô e o rosa-escuro e veias verde muito escuro, típicas da espécie.

            No caso das Begônias ‘Beleaf’, as inovações resultaram em cultivares com novas combinações de cores, formatos e texturas de folhagem, valorizadas por um intenso brilho acetinado – pontos altos que conferem preferência pela espécie – e que recebem as denominações de ‘Silver Leaf’ – (mais prateadas, com meios escuros e  bordas levemente recortadas);  ‘Sumatra Green‘ (prata com borda verde e bastante recortada); ‘Maui Sunset’ (com meio em tom bordô e bordas verdes com manchas prateadas); ‘Purple Blush’ (com meio em formato de caracol em tom rosado que parte para extremidade em um dégradé que puxa para o branco e bordas verdes com pintinhas brancas em formato de gota); ‘Icarus Wing’ (com meio vermelho vivo e borda verde escuro, com uma delicada linha branca dividindo as duas cores); ‘Ruby Star’ (bordô e com o brilho intenso) e a ‘Ruby Moon’ (com meio vermelho,  borda prateada e veias verdes).

            No Brasil, as begônias já fizeram enorme sucesso e acirrada concorrência às imbatíveis samambaias nos anos 70. Nesse novo ciclo da moda, prometem repetir a façanha, disputando espaços com outros grupos de largo interesse ornamental, como cactos e suculentas, entre uma verdadeira infinidade de opções

            Muitos outros produtos estão chegando ao mercado e fazem parte da coleção dos lançamentos dessa primavera pandêmica de 2020. Sobre eles, falaremos em nossas próximas matérias.

Foto e informações sobre as variedades em lançamento: Vera Longuini / Cooperativa Veiling Holambra (Divulgação).

Para saber mais sobre consumo, novidades, moda, tendência e mercados para flores e plantas ornamentais, consulte-nos através da Hórtica Consultoria e Inteligência de Mercado. (11). https://www.facebook.com/HorticaConsultoria/http://www.hortica.com.br/

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